Pode parecer contraditório uma religiosa – que foi beatificada – dar lições para o mundo dos negócios. Mas à frente de uma organização com mais de 4 mil colaboradores e bilhões de dólares em doações, Madre Teresa de Calcutá foi um grande ícone de liderança, como mostra o livro Madre Teresa, CEO, escrito pelos norte-americanos Ruma Bose e Lou Faust, e lançado neste mês no Brasil.
Na obra, os autores mostram oito princípios de liderança preconizados pela freira albanesa que realizou grande parte de seu trabalho em Calcutá e foi a criadora da instituição Missionárias da Caridade, em 1948. Depois de esperar 20 anos por uma autorização da Igreja Católica para fundar uma nova ordem religiosa, ela iniciou o projeto de ajuda aos pobres e necessitados com apenas 500 rúpias e doze colaboradores.
“Quando pensamos no estereótipo do líder ou de alguém que ocupa um cargo de chefia, jamais pensaríamos em uma freira. O livro apresenta uma nova visão de um lado de Madre Teresa que muitos não conhecem e irá mostrar ao leitor que é possível conciliar princípios íntegros ao desenvolvimento de um líder”, afirma a co-autora do livro, Ruma Bose, que passou um período em Calcutá em 1992 como voluntária, trabalhando ao lado de Madre Teresa.
Leia também: Cinco inspirações de Madre Teresa para a carreira
Entre os oito princípios apresentados no livro, Bose acredita que o poder do silêncio é o mais difícil de ser aplicado pelos líderes de hoje. Segundo ela, um gestor precisa tomar decisões difíceis diariamente e o excesso de informação, muitas vezes, não o deixa focar naquilo que é importante para tomar a decisão mais adequada. A autora diz que, nestes momentos, Madre Teresa sempre recomendava parar e silenciar para ouvir a sua voz interior, sua experiência, seus sentidos e, assim, definir o rumo a seguir.
Ainda de acordo com Bose, que hoje é empresária e mora nos Estados Unidos, Madre Teresa (falecida em 1997) aprovaria a obra feita em parceria com o consultor de negócios Lou Faust. “Se ela pudesse ler o livro, iria gostar muito de ver mais um meio para que os seus conhecimentos fossem transmitidos, atingindo mais pessoas e melhorando suas vidas”.
De acordo com José Valério Macucci, especialista em gestão de pessoas e professor do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), os ensinamentos de Madre Teresa citados no livro fazem todo sentido no mundo corporativo de hoje. “Eu a contrataria como CEO. Muitas vezes, as corporações lidam com coisas, produtos, números e relatórios e se esquecem que na ponta da linha está o relacionametno humano, que é o alicerce de uma organização”, afirma Macucci.
Conheça os oito princípios de liderança de Madre Teresa de Calcutá.
1. Sonhe simples, fale com força
A simplicidade foi uma característica que sempre marcou a vida de Madre Teresa e isso se reproduzia também em sua linha de trabalho. A religiosa tinha uma visão cristalina sobre como e aonde deveria focar os recursos de sua instituição. Segundo ela, para que uma organização cresça, é preciso articular uma visão simples do que se quer alcançar.
Muitas vezes, no entanto, para saber o que realmente se quer é preciso introspecção. Por isso, a freira pregava a importância de reservar um tempo para pensar e refletir sobre seus próprios sonhos.
Além de saber aonde se quer chegar, para alcançar o sucesso também é essencial convencer os outros a se envolverem com o mesmo ideal. Esse discurso persuasivo, ela chama de “falar com força”: um líder deve se comunicar com paixão e convicção a respeito de sua visão para contagiar sua equipe. E essa comunicação não se limita à fala.
“[Madre Teresa] liderou pelo exemplo, vivendo uma vida coerente com seu ideal. Ao vivenciar o que acreditava, ela inspirou outros a segui-la” .
2. Para chegar aos anjos, lide com o diabo
Apesar de sua bondade, Madre Teresa também foi uma líder criticada. Muitas pessoas viam com maus olhos o fato de a religiosa aceitar doações de políticos opressores e empresários de ética duvidosa. No entanto, ela dizia que o bem que aquele dinheiro poderia fazer ao servir os mais pobres superava o caráter de sua fonte.
"Ela aceitou a caridade dos demônios para chegar aos anjos”.
Como líder, muitas vezes será preciso lidar com questões éticas no dia a dia de trabalho. Por isso, é importante ter bem claro quais são os princípios que guiam sua organização.
“Líderes precisam saber onde colocar seus limites. Tem de ter coragem para decidir que compromissos são aceitáveis e aqueles que não são. Nem sempre você fará as escolhas certas e receberá críticas por isso”
Em resposta às críticas, Madre Teresa aconselhava a permanecer firme em suas crenças e focar em fazer seu trabalho da melhor maneira possível.
3. Espere e eleja seu momento
Madre Teresa sempre soube que estava predestinada a ajudar os pobres, mas teve de esperar o momento certo para começar a agir. Desde o dia em que ela teve a ideia de criar uma nova ordem religiosa até o momento de sua fundação, passaram-se 20 anos.
Em meio a esse trajeto, que às vezes pode ser tão longo como o de Madre Teresa, duas qualidades são mais do que essenciais: a paciência e a perseverança. Em meio a isso, porém, é fundamental se preparar e se capacitar para levar um projeto adiante, seja ele um cargo diferente ou uma nova empresa.
Em toda a etapa de preparação para a fundação de sua organização, Madre Teresa observava três aspectos fundamentais: as questões emocionais, financeiras e operacionais. Antes de iniciar qualquer empreitada, é preciso muito planejamento.
Sendo assim, faça a si mesmo as seguintes perguntas: “Estou capacitado para resistir às pressões do cargo e encarar os desafios que vêm pela frente?”, “Tenho um plano financeiro para garantir que a organização inicie seus projetos e siga adiante?”, “Tenho capacidade de desenvolver e liderar as atividades necessárias para que a organização funcione diariamente?”. As respostas a estas perguntas darão o rumo para você seguir em frente.
Para o especialista em gestão de pessoas José Valério Macucci, esperar para eleger o momento certo é conciliar sabedoria e paciência. “Tem coisas que precisam de um determinado prazo para maturação. Como líder, é importante entender esse momento e usar isso com sabedoria. Só não se pode entender a paciência como postergação”, afirma o professor do Insper.
4. Acolha o poder da dúvida
Apesar da fé, Madre Teresa também teve seus momentos de dúvida. A diferença é que a religiosa não permitiu que estas dúvidas a impedissem de prosseguir com seu projeto.
"Duvidar não é, necessariamente, ter uma crise de fé. Obstáculos fazem parte da vida diária. Você pode ter fé que alguma coisa boa vai acontecer, mas duvidar de como vai conseguir chegar lá”
Quando acontecia isso, a religiosa dizia que é importante conhecer e processar as dúvidas, usá-las para questionar-se e reforçar as próprias crenças. Abraçar o poder da dúvida não significa duvidar de sua visão. Questões poderosas podem iluminar melhor as formas de alcançar o que se deseja.
Além de abraçar as próprias dúvidas, Madre Teresa também acolhia as questões de cada pessoa como se fossem chaves para um aperfeiçoamento.
“Quando os outros falavam, ela só ouvia. Se a pergunta conduzisse à compreensão de como atuar melhor, ela agia”
Para o professor José Valério Macucci, este é um ponto fundamental. “Ouça e vá em frente. Nunca se feche na possibilidade de ser o dono da verdade. Crie na dúvida a possibilidade de ampliação, de análise, de entendimento, de renovação de ações”, diz.
5. Descubra a alegria da disciplina
Para Madre Teresa de Calcutá, disciplina tinha a ver com o que fazer, mas, muitas vezes, o benefício vem a longo prazo e requer muito esforço e força de vontade. Para ter prosperidade nos negócios e não deixar que a repetição das atividades cotidianas leve ao tédio, a religiosa dizia que é essencial descobrir a alegria da disciplina.
Para ela, isso significava acordar e se sentir feliz em realizar as tarefas do dia a dia. As coisas pequenas do cotidiano. Madre Teresa acreditava que se você cuida direito de suas pequenas responsabilidades, a vida o recompensará com grandes responsabilidades.
“A alegria da disciplina começa com o entendimento de que disciplina é uma prática. Como qualquer prática, para ser efetiva tem de ser repetida. Desenvolve caráter, habilidades e resistência”.
6. Comunique-se em uma língua que as pessoas entendam
Comunicar-se em uma língua que as pessoas entendam não significa saber falar inglês, espanhol ou qualquer outro idioma. Esta mensagem de Madre Teresa tem um conteúdo mais profundo, que é transcender as barreiras da linguagem e se comunicar com um gesto, um sorriso, compreender o que outro precisa de maneira mais humana.
Por isso, para Madre Teresa, a comunicação tinha mais a ver com o ouvir do que com o falar. A autora Ruma Bose revela que a religiosa tinha tempo para todas as pessoas que se aproximavam dela e sempre as ouvia com ternura e dedicação. Em outras palavras, ela procurava compreender o seu público.
Com esse conhecimento em mãos, na hora de falar, Madre Teresa interagia de forma especial com o seu público, pois sabia de suas necessidades e falava o que outro precisava ouvir, adquirindo a confiança de seu ouvinte. Isso vale muito para os líderes atuais. Um bom profissional de negócios é capaz de se ajustar ao estilo de outras pessoas, mas sem perder a autenticidade e a empatia.
De acordo com o professor José Valério Micucci, especialista em gestão de pessoas, saber se comunicar é uma das qualidades mais importantes de um líder. “Um bom executivo tem três atributos essenciais: sabe ouvir, saber expressar-se de forma adequada de acordo com o seu público e estabelecer empatia, ou seja, saber colocar-se do lugar do outro”.
7. Preste atenção no faxineiro
Madre Teresa sabia que é impossível construir qualquer coisa sozinho. Nos negócios não é diferente. É preciso valorizar as pessoas, reconhecê-las, para extrair delas o melhor que têm a oferecer. Por isso, faça perguntas aos seus colaboradores e, sobretudo, grave o nome de todos com os quais convive diariamente.
Para ela o título que uma pessoa possui não interessa, mas, sim, o que ela é. Desta forma, ao interagir com os colaboradores da empresa, trate a todos da mesma maneira, com o mesmo respeito, isso vale para o faxineiro e para o executivo sênior.
“Valorizar seus colaboradores é ser recompensado com lealdade, produtividade, eficiência, baixo nível de demissões, confiança, sentido de comunidade, apoio de seus investidores e aumento de vendas”.
Segundo o especialista em gestão de pessoas José Valério Micucci, o líder tem de saber lidar com gente, respeitar as pessoas. “Este é um ponto imprescindível. Madre Teresa talvez seja um dos maiores exemplos de respeito às pessoas: ela tratava com o mesmo respeito um doente terminal, uma criança suja nas ruas de Calcutá ou o primeiro ministro britânico. Este é um princípio que vem de dentro para fora e não de fora para dentro”, comenta.
8. Use o poder do silêncio
Mesmo diante de tantas informações, relatórios, notícias e afazeres diários, um líder deve empregar o poder do silêncio para clarear sua mente e ouvir sua voz interior, segundo pregava Madre Teresa de Calcutá.
Para silenciar a mente em uma rotina tão atribulada como a que temos hoje, comece eliminando todas as distrações externas. Feche a porta, desligue o computador e o telefone. Em um ambiente silencioso, deixe que os problemas desabem sobre você. Concentre-se naquele que o está afligindo mais e permaneça assim até tomar uma decisão a respeito dele.
Madre Teresa dizia que, se você reservar tempo para silenciar sua mente com regularidade, ela encontrará as respostas de que você precisa para cada aspecto da sua vida.
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domingo, 12 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Convenções e protocolos
Divisão de Atos Internacionais
DECRETO Nº 65.810, DE 8 DE DEZEMBRO DE 1969.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA,
HAVENDO o Congresso Nacional aprovado pelo Decreto Legislativo nº 23, de 21 de junho
de 1967, a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de
Discriminação Racial, que foi aberta à assinatura em Nova York e assinada pelo Brasil a 7
de março de 1966;
E HAVENDO sido depositado o Instrumento brasileiro de Ratificação, junto ao Secretário-
Geral das Nações Unidas, a 27 de março de 1968;
E TENDO a referida Convenção entrado em vigor, de conformidade com o disposto em
seu artigo 19, parágrafo 1º, a 4 de janeiro de 1969;
DECRETA que a mesma, apensa por cópia ao presente Decreto, seja executada e
cumprida tão inteiramente como ela nele contém.
Brasília, 8 de dezembro de 1969; 148º da Independência e 81º da República.
EMÍLIO G. MÉDICI
Mário Gibson Barbosa
Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as
Formas de Discriminação Racial
Os Estados Partes na presente Convenção, considerando que a Carta das Nações Unidas fundamentase
em princípios de dignidade e igualdade inerentes a todos os seres humanos, e que todos os
Estados-Membros comprometeram-se a agir, separada ou conjuntamente, para alcançar um dos
propósitos das Nações Unidas, que é o de promover e encorajar o respeito universal e efetivo pelos
direitos humanos e liberdades fundamentais para todos, sem discriminação de raça, sexo, idioma ou
religião;
Considerando que a Declaração Universal dos Direitos Humanos proclama que todos os homens
nascem livres e iguais em dignidade e direitos e que cada indivíduo pode valer-se de todos os
direitos nela estabelecidos, sem distinção de qualquer espécie, principalmente de raça, cor ou origem
Promulga a Convenção Internacional sobre a
Eliminação de todas as Formas de
Discriminação Racial.
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nacional;
Considerando que todos os homens são iguais perante a lei e têm direito a igual proteção contra
qualquer discriminação e contra todo incitamento à discriminação;
Considerando que as Nações Unidas condenaram o colonialismo e todas as práticas de segregação e
discrimação que o acompanham, em qualquer forma e onde quer que existam, e que a Declaração
sobre a Outorga de Independência aos Países e Povos Coloniais, de 14 de dezembro de 1960
(Resolução 1.514 {XV} da Assembléia Geral), afirmou e proclamou solenemente a necessidade de
colocar-lhes fim, de forma rápida e incondicional; considerando que a Declaração das Nações
Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 20 de novembro de
1963 (Resolução 1.904 {XVIII} da Assembléia Geral), afirma solenemente a necessidade de se
eliminar rapidamente todas as formas e todas as manifestações de discriminação racial através do
mundo e de assegurar a compreensão e o respeito à dignidade da pessoa humana;
Convencidos de que todas as doutrinas de superioridade fundamentadas em diferenças raciais são
cientificamente falsas, moralmente condenáveis, socialmente injustas e perigosas, e que não existe
justificativa, onde quer que seja, para a discriminação racial, nem na teoria e tampouco na prática;
Reafirmando que a discriminação entre os seres humanos por motivos de raça, cor ou origem étnica
é um obstáculo às relações amigáveis e pacíficas entre as nações e é capaz de perturbar a paz e a
segurança entre os povos, bem como a coexistência harmoniosa de pessoas dentro de um mesmo
Estado;
Convencidos de que a existência de barreiras raciais é incompatível com os ideais de qualquer
sociedade humana;
Alarmados por manifestações de discriminação racial ainda existentes em algumas áreas do mundo e
com políticas governamentais baseadas em superioridade ou ódio racial, tais como as políticas de
apartheid, segregação ou separação;
Resolvidos a adotar todas as medidas necessárias para eliminar rapidamente todas as formas e todas
as manifestações de discriminação racial, e a prevenir e combater as doutrinas e práticas racistas com
o objetivo de favorecer o bom entendimento entre as raças e conceber uma comunidade internacional
livre de todas as formas de segregação e discriminação racial;
Tendo em conta a Convenção sobre Discriminação no Emprego e Ocupação, adotada pela
Organização Internacional do Trabalho em 1958, e a Convenção pela Luta Contra a Discriminação
no Ensino, adotada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em
1960;
Desejando efetivar os princípios estabelecidos na Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação
de Todas as Formas de Discriminação Racial e assegurar o mais rapidamente possível a adoção de
medidas práticas para esse fim,
Acordam no seguinte:
PARTE I
Artigo I
1. Na presente Convenção, a expressão "discriminação racial" significa qualquer distinção, exclusão,
restrição ou preferência fundadas na raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha
por fim ou efeito anular ou comprometer o reconhecimento, o gozo ou o exercício, em igualdade de
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condições, dos direitos humanos e das liberdades fundamentais nos domínios político, econômico,
social, cultural ou em qualquer outro domínio da vida pública.
2. Esta Convenção não se aplicará às distinções, exclusões, restrições ou preferências estabelecidas
por um Estado Parte entre cidadãos e não-cidadãos seus.
3. Nenhuma disposição da presente Convenção poderá ser interpretada como atentando, sob qualquer
forma, contra as disposições legais dos Estados Partes relativas a nacionalidade, cidadania e
naturalização, desde que essas disposições não sejam discriminatórias contra qualquer nacionalidade
em particular. 4. Medidas especiais tomadas com o objetivo precípuo de assegurar, de forma
conveniente, o progresso de certos grupos sociais ou étnicos ou de indivíduos que necessitem de
proteção para poderem gozar e exercitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais em
igualdade de condições, não serão consideradas medidas de discriminação racial, desde que não
conduzam à manutenção de direitos separados para diferentes grupos raciais e não prossigam após
terem sido atingidos os seus objetivos.
Artigo II
1. Os Estados Partes condenam a discriminação racial e comprometem-se a adotar, por todos os
meios apropriados e sem demora, uma política de eliminação de todas as formas de discriminação
racial, e de promoção da harmonia entre todas as raças, e, para este fim:
a) Os Estados Partes comprometem-se a não apoiar qualquer ato ou prática de discriminação racial
contra pessoas, grupos de pessoas ou instituições, e a proceder de modo que todas as autoridades e
instituições públicas, nacionais e locais se conformem com esta obrigação;
b) Os Estados Partes comprometem-se a não incitar, defender ou apoiar a discriminação racial
praticada por qualquer pessoa ou organização;
c) Os Estados Partes devem tomar medidas eficazes a fim de rever as políticas governamentais
nacionais e locais e para modificar, revogar ou anular as leis e qualquer disposição regulamentar que
tenha como efeito criar a discriminação racial ou perpetuá-la onde já existir;
d) Os Estados Partes devem, por todos os meios apropriados - inclusive, se as circunstâncias o
exigirem, com medidas legislativas -, proibir a discriminação racial praticada por quaisquer pessoas,
grupos ou organizações, pondo-lhe um fim;
e) Os Estados Partes comprometem-se a favorecer, quando for conveniente, as organizações e
movimentos multirraciais, e outros meios próprios, visando suprimir as barreiras entre as raças e a
desencorajar o que tende a reforçar a divisão racial.
2. Os Estados Partes adotarão, se as circunstâncias assim o exigirem, nos campos social, econômico,
cultural e outros, medidas especiais e concretas para assegurar adequadamente o desenvolvimento ou
a proteção de certos grupos raciais ou de indivíduos pertencentes a esses grupos com o propósito de
garantir-lhes, em igualdade de condições, o pleno exercício dos direitos humanos e das liberdades
fundamentais. Essas medidas não poderão, em hipótese alguma, ter o escopo de conservar direitos
desiguais ou diferenciados para os diversos grupos raciais depois de alcançados os objetivos
perseguidos.
Artigo III
Os Estados Partes condenam especialmente a segregação racial e o apartheid e comprometem-se a
prevenir, proibir e eliminar nos territórios sob sua jurisdição todas as práticas dessa natureza.
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Artigo IV
Os Estados Partes condenam toda propaganda e todas as organizações que se inspiram em idéias ou
teorias cujo fundamento seja a superioridade de uma raça ou de um grupo de pessoas de uma certa
cor ou de uma certa origem étnica, ou que pretendam justificar ou encorajar qualquer forma de ódio
e de discriminação raciais, comprometendo-se a adotar imediatamente medidas positivas destinadas
a eliminar qualquer incitação a tal discriminação e, para esse fim, tendo em vista os princípios
formulados na Declaração Universal dos Direitos Humanos e os direitos expressamente enunciados
no artigo V da presente Convenção, comprometem-se, nomeadamente:
a) a declarar como delitos puníveis por lei qualquer difusão de idéias que estejam fundamentadas na
superioridade ou ódio raciais, quaisquer incitamentos à discriminação racial, bem como atos de
violência ou provocação destes atos, dirigidos contra qualquer raça ou grupo de pessoas de outra cor
ou de outra origem étnica, como também a assistência prestada a atividades racistas, incluindo seu
financiamento;
b) a declarar ilegais e a proibir as organizações, assim como as atividades de propaganda organizada
e qualquer outro tipo de atividade de propaganda, que incitem à discriminação racial e que a
encorajem, e a declarar delito punível por lei a participação nessas organizações ou nessas
atividades;
c) a não permitir que as autoridades públicas nem as instituições públicas, nacionais ou locais,
incitem à discriminação racial ou a encorajem.
Artigo V
De acordo com as obrigações fundamentais enunciadas no artigo 2 desta Convenção, os Estados
Partes comprometem-se a proibir e a eliminar a discriminação racial sob todas as suas formas e a
garantir o direito de cada um à igualdade perante a lei, sem distinção de raça, de cor ou de origem
nacional ou étnica, nomeadamente no gozo dos seguintes direitos:
a) direito de recorrer a um tribunal ou a qualquer outro órgão de administração da justiça;
b) direito à segurança da pessoa e à proteção do Estado contra violência ou lesão corporal cometida
por funcionários do Governo ou por qualquer pessoa, grupo ou instituição;
c) direitos políticos, especialmente o de participar de eleições - votando e sendo votado - através de
sufrágio universal e igual, direito de tomar parte no governo assim como na direção dos assuntos
públicos em todos os escalões, e direito de ter acesso em igualdade de condições às funções públicas;
d) outros direitos civis, nomeadamente:
(i) direito de circular livremente e de escolher sua residência no interior de um Estado;
(ii) direito de deixar qualquer país, inclusive o seu, e de regressar ao mesmo;
(iii) direito a uma nacionalidade;
(iv) direito ao casamento e à escolha do cônjuge;
(v) direito de qualquer pessoa, tanto individualmente como em associação com outras, à propriedade;
(vi) direito de herdar;
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(vii) direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião;
(viii) direito à liberdade de opinião e de expressão;
(ix) direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas;
e) direitos econômicos, sociais e culturais, nomeadamente:
(i) direitos ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho,
à proteção contra o desemprego, a um salário igual para um trabalho igual, a uma remuneração
eqüitativa e satisfatória;
(ii) direito de fundar sindicatos e de filiar-se a eles;
(iii) direito à habitação;
(iv) direito à saúde, a cuidados médicos, à previdência social e aos serviços sociais;
(v) direito à educação e à formação profissional;(vi) direito a igual participação nas atividades
culturais;
f) direito de acesso a todos os lugares e serviços destinados ao uso público, tais como meios de
transporte, hotéis, restaurantes, cafés, espetáculos e parques.
Artigo VI
Os Estados Partes assegurarão às pessoas que estiverem sob sua jurisdição proteção e recursos
eficazes perante os tribunais nacionais e outros órgãos do Estado competentes, contra todos os atos
de discriminação racial que, contrariando a presente Convenção, violem os seus direitos individuais
e as suas liberdades fundamentais, assim como o direito de pedir a esses tribunais satisfação ou
reparação, justa e adequada, por qualquer prejuízo de que tenham sido vítimas em virtude de tal
discriminação.
Artigo VII
Os Estados Partes comprometem-se a tomar medidas imediatas e eficazes, sobretudo no campo do
ensino, educação, cultura e informação, para lutar contra preconceitos que conduzam à
discriminação racial e para favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre nações e grupos
raciais e étnicos, bem como para promover os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas, da
Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação
de Todas as Formas de Discriminação Racial e da presente Convenção.
PARTE II
Artigo VIII
1. Será constituído um Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial (doravante denominado
"o Comitê") composto por 18 peritos reconhecidos pela sua imparcialidade e alta estatura moral, que
serão eleitos pelos Estados Partes dentre seus nacionais e exercerão suas funções a título individual,
levando-se em conta uma repartição geográfica eqüitativa e a representação das distintas formas de
civilização, assim como dos principais sistemas jurídicos.
2. Os membros do Comitê serão eleitos, em escrutínio secreto, de uma lista de candidatos designados
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pelos Estados Partes. Cada Estado Parte poderá designar um candidato escolhido dentre seus
nacionais.
3. A primeira eleição será realizada seis meses após a data da entrada em vigor da presente
Convenção. O Secretário-Geral das Nações Unidas enviará uma carta aos Estados Partes, com uma
antecedência de no mínimo três meses antes da data de cada eleição, convidando-os a apresentarem
seus candidatos no prazo de dois meses. O Secretário-Geral preparará uma lista, em ordem
alfabética, de todos os candidatos assim nomeados, indicando os Estados Partes que os nomearam, e
a comunicará aos Estados Partes.
4. Os membros do Comitê serão eleitos durante uma reunião dos Estados Partes convocada pelo
Secretário-Geral na sede das Nações Unidas. Nessa reunião, em que o quorum será alcançado com
dois terços dos Estados Partes, serão eleitos membros do Comitê os candidatos que obtiverem o
maior número de votos e a maioria absoluta dos votos dos representantes dos Estados Partes
presentes e votantes.
5. a) Os membros do Comitê serão eleitos por quatro anos. Todavia, o mandato de nove dos
membros eleitos na primeira eleição expirará ao fim de dois anos; imediatamente após a primeira
eleição, o Presidente do Comitê sorteará os nomes desses nove membros.
b) Para preencher as vagas fortuitas, o Estado Parte cujo perito deixou de exercer suas funções de
membro do Comitê nomeará outro perito dentre seus nacionais, sob reserva da aprovação do Comitê.
6. Os Estados Partes suportarão as despesas dos membros do Comitê durante o período em que os
mesmos exercerem suas funções.
Artigo IX
1. Os Estados Partes comprometem-se a apresentar ao Secretário-Geral, para ser examinado pelo
Comitê, um relatório sobre as medidas de caráter legislativo, judiciário, administrativo ou outras que
tomarem para tornarem efetivas as disposições da presente Convenção:
a) no prazo de um ano, a contar da entrada em vigor da Convenção para cada Estado em questão; e
b) a partir de então, a cada dois anos e sempre que o Comitê o solicitar.
O Comitê poderá solicitar informações complementares aos Estados Partes.
2. O Comitê submeterá todos os anos à Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, por
intermédio do Secretário-Geral, um relatório sobre suas atividades e poderá fazer sugestões e
recomendações de ordem geral baseadas no exame dos relatórios e das informações recebidas dos
Estados Partes. Levará ao conhecimento da Assembléia Geral essas sugestões e recomendações de
ordem geral, juntamente com as observações dos Estados Partes, caso existirem.
Artigo X
1. O Comitê adotará seu regulamento interno.
2. O Comitê elegerá sua mesa diretora por um período de dois anos.
3. O Secretário-Geral das Organização das Nações Unidas fornecerá os serviços de secretaria ao
Comitê.
4. O Comitê reunir-se-á normalmente na sede da Organização das Nações Unidas.
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Artigo XI
1. Se um Estado Parte entender que outro Estado igualmente Parte não aplica as disposições da
presente Convenção, poderá chamar a atenção do Comitê para essa questão. O Comitê transmitirá,
então, a comunicação recebida ao Estado Parte interessado. Em um prazo de três meses, o Estado
destinatário submeterá ao Comitê suas explicações ou declarações por escrito, com o propósito de
esclarecer a questão, indicando, se for o caso, as medidas corretivas que adotou.
2. Se, no prazo de seis meses a partir da data do recebimento da comunicação original pelo Estado
destinatário, a questão não estiver resolvida a contento dos dois Estados, por meio de negociações
bilaterais ou por qualquer outro processo que estiver ao seu dispor, ambos os Estados terão o direito
de submetê-la novamente ao Comitê, endereçando uma notificação ao Comitê e ao outro Estado
interessado.
3. O Comitê só poderá tomar conhecimento de uma questão que lhe seja submetida, nos termos do
parágrafo 2 do presente artigo, depois de haver constatado que todos os recursos internos disponíveis
foram utilizados ou esgotados, de conformidade com os princípios de direito internacional
geralmente reconhecidos. Esta regra não se aplicará se os procedimentos de recurso excederem
prazos razoáveis.
4. Em todas as questões que lhe forem submetidas, o Comitê poderá solicitar aos Estados Partes
presentes que lhe forneçam quaisquer informações complementares pertinentes.
5. Quando o Comitê examinar uma questão, em aplicação deste artigo, os Estados Partes
interessados terão o direito de designar um representante que participará, sem direito a voto, dos
trabalhos do Comitê durante todos os debates.
Artigo XII
1. a) Depois que o Comitê tiver obtido e examinado as informações que julgar necessárias, o
presidente nomeará uma Comissão de Conciliação ad hoc (doravante denominada apenas "a
Comissão"), composta por cinco pessoas, que poderão ser ou não membros do Comitê. Os seus
membros serão nomeados com o consentimento pleno e unânime das partes na envolvidas na
discussão e a Comissão porá seus bons ofícios à disposição dos Estados interessados, a fim de chegar
a uma solução amigável da questão, baseada no respeito à presente Convenção.
b) Se os Estados Partes na controvérsia não chegarem a um entendimento em relação a toda ou parte
da composição da Comissão em um prazo de três meses, os membros da Comissão que não tiverem
o assentimento dos Estados Partes na controvérsia serão eleitos por escrutínio secreto dentre os
próprios membros do Comitê, por maioria de dois terços.
2. Os membros da Comissão exercerão funções a título individual. Não deverão ser nacionais de um
dos Estados Partes envolvidos na discussão nem de um Estado que não seja parte na presente
Convenção.
3. A Comissão elegerá seu presidente e adotará seu regulamento interno.
4. A Comissão reunir-se-á normalmente na sede da Organização das Nações Unidas ou em qualquer
outro lugar apropriado que venha a ser determinado pela Comissão.
5. A secretaria prevista no parágrafo 3 do artigo X da presente Convenção também prestará seus
serviços à Comissão, sempre que uma controvérsia entre os Estados Partes provocar a constituição
da Comissão.
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6. As despesas dos membros da Comissão serão divididas igualmente entre os Estados Partes
envolvidos na controvérsia, baseadas em um cálculo estimativo feito pelo Secretário-Geral da
Organização das Nações Unidas.
7. O Secretário-Geral estará habilitado a reembolsar, caso seja necessário, as despesas dos membros
da Comissão antes que os Estados Parte envolvidos na controvérsia tenham efetuado o pagamento,
consoante o previsto no parágrafo 6 do presente artigo.
8. As informações obtidas e examinadas pelo Comitê serão postas à disposição da Comissão, e a
Comissão poderá solicitar aos Estados interessados que lhe forneçam quaisquer informações
complementares pertinentes.
Artigo XIII
1. Após haver estudado a questão sob todos os seus aspectos, a Comissão preparará e submeterá ao
presidente do Comitê um relatório com as suas conclusões sobre todas as questões de fato relativas
ao litígio entre as partes e com as recomendações que julgar oportunas, objetivando alcançar uma
solução amistosa para a polêmica.
2. O presidente do Comitê transmitirá o relatório da Comissão aos Estados Partes envolvidos na
discussão. Esses Estados comunicarão ao presidente do Comitê, no prazo de três meses, se aceitam
ou não as recomendações contidas no relatório da Comissão.
3. Expirado o prazo previsto no parágrafo 2 do presente artigo, o presidente do Comitê comunicará o
relatório da Comissão e as declarações dos Estados Partes interessados aos outros Estados Partes
nesta Convenção.
Artigo XIV
1. Os Estados Partes poderão declarar, a qualquer momento, que reconhecem a competência do
Comitê para receber e examinar comunicações procedentes de indivíduos ou grupos de indivíduos
sob sua jurisdição que se considerem vítimas de uma violação cometida por um Estado Parte de
qualquer um dos direitos enunciados na presente Convenção. O Comitê não receberá nenhuma
comunicação relativa a um Estado Parte que não houver feito essa declaração.
2. Os Estados Partes que fizerem a declaração prevista no parágrafo 1 do presente artigo poderão
criar ou designar um órgão, no quadro de sua ordem jurídica nacional, que terá competência para
receber e examinar as petições de pessoas ou grupos de pessoas sob sua jurisdição que alegarem ser
vítimas de violação de qualquer um dos direitos enunciados na presente Convenção e que esgotaram
os outros recursos locais disponíveis.
3. As declarações feitas nos termos do parágrafo 1 do presente artigo e os nomes dos órgãos criados
ou designados pelo Estado Parte interessado, segundo o parágrafo 2 do presente artigo, serão
depositados pelo Estado Parte interessado junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas, que enviará
cópias aos outros Estados Partes. Uma declaração poderá ser retirada a qualquer momento através de
notificação endereçada ao Secretário-Geral, mas tal retirada não prejudicará as comunicações que já
tenham sido estudadas pelo Comitê.
4. O órgão criado ou designado nos termos do parágrafo 2 do presente artigo deverá possuir um
registro das petições, e todos os anos cópias autenticadas do registro serão entregues ao Secretário-
Geral das Nações Unidas, pelas vias apropriadas, ficando entendido que o conteúdo dessas cópias
não será divulgado ao público.
5. Em não obtendo reparação satisfatória do órgão criado ou designado nos termos do parágrafo 2 do
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presente artigo, o peticionário terá o direito de dirigir uma comunicação ao Comitê dentro do prazo
de seis meses.
6. a) O Comitê levará as comunicações que lhe tenham sido endereçadas, confidencialmente, ao
conhecimento do Estado Parte que supostamente violou qualquer das disposições desta Convenção;
todavia, a identidade da pessoa ou dos grupos de pessoas interessadas não poderá ser revelada sem o
consentimento expresso dessa pessoa ou grupos de pessoas. O Comitê não receberá comunicações
anônimas.
b) Nos três meses seguintes, o referido Estado submeterá, por escrito, ao Comitê, as explicações ou
declarações que esclareçam a questão e indicará, quando for o caso, as medidas corretivas que
houver adotado.
7. a) O Comitê examinará as comunicações, à luz de todas as informações que lhe forem submetidas
pelo Estado Parte interessado e pelo peticionário. O Comitê não examinará nenhuma comunicação
de um peticionário sem ter-se assegurado de que o mesmo esgotou todos os recursos internos
disponíveis. Entretanto, esta regra não se aplicará se tais recurso excederem prazos razoáveis.
b) O Comitê remeterá suas sugestões e recomendações ao Estado Parte interessado e ao peticionário.
8. O Comitê incluirá em seu relatório anual um resumo destas comunicações e, quando houver,
também um resumo das explicações e declarações dos Estados Partes interessados, assim como das
suas próprias sugestões e recomendações.
9. O Comitê somente terá competência para desempenhar as funções previstas neste artigo se pelo
menos dez Estados Partes nesta Convenção estiverem obrigados por declarações feitas nos termos do
parágrafo 1 deste artigo.
Artigo XV
1. Esperando a realização dos objetivos da Declaração sobre a Concessão de Independência aos
Países e aos Povos Coloniais, contida na Resolução 1.514 (XV) da Assembléia Geral da ONU, de 14
de dezembro de 1960, as disposições da presente Convenção em nada restringem o direito de petição
concedido a esses povos por outros instrumentos internacionais ou pela Organização das Nações
Unidas ou suas agências especializadas.
2. a) O Comitê, constituído nos termos do artigo VIII desta Convenção, receberá cópia das petições
provenientes dos órgãos das Nações Unidas que se ocuparem de questões diretamente relacionadas
com os princípios e objetivos da presente Convenção e expressará sua opinião e apresentará
recomendações sobre essas petições, quando examinar as petições dos habitantes dos territórios sob
tutela ou sem governo próprio ou de qualquer outro território a que se aplicar a Resolução 1.514
(XV) da Assembléia Geral, relacionadas com questões incluidas na presente Convenção e que sejam
recebidas por esses órgãos.
b) O Comitê receberá dos órgãos competentes da Organização das Nações Unidas cópia dos
relatórios referentes às medidas de ordem legislativa, judiciária, administrativa ou outras que digam
respeito diretamente aos princípios e objetivos da presente Convenção, que as potências
administradoras tiverem aplicado nos territórios mencionados na alínea a). do presente parágrafo, e
expressará opiniões e fará recomendações a esses órgãos.
3. O Comitê incluirá em seus relatórios à Assembléia Geral um resumo das petições e dos relatórios
que houver recebido de órgãos da Organização das Nações Unidas, assim como as opiniões e
recomendações que tais petições e relatórios houverem merecido de sua parte.
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4. O Comitê solicitará ao Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas o fornecimento de
qualquer informação relacionada com os objetivos da presente Convenção de que ele dispuser sobre
os territórios mencionados na alínea a) no parágrafo 2 do presente artigo.
Artigo XVI
As disposições desta Convenção relativas às medidas a serem adotadas para a solução de uma
controvérsia ou queixa serão aplicadas sem prejuízo de outros processos para solução de
controvérsias ou queixas no campo da discriminação previstos nos instrumentos constitutivos das
Nações Unidas e suas agências especializada, ou em convenções adotadas por essas organizações, e
não impedirão os Estados Partes de recorrerem a outros procedimentos visando solucionar uma
controvérsia de conformidade com os acordos internacionais gerais ou especiais pelos quais estejam
ligados.
PARTE III
Artigo XVII
1. A presente Convenção ficará aberta à assinatura de todos os Estados membros da Organização das
Nações Unidas ou membros de uma de suas agências especializadas, dos Estados Partes no Estatuto
da Corte Internacional de Justiça, bem como dos Estados convidados pela Assembléia Geral da
Organização das Nações Unidas a serem partes na presente Convenção.
2. A presente Convenção estará sujeita a ratificação e os instrumentos de ratificação serão
depositados junto ao Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas.
Artigo XVIII
1. A presente Convenção estará aberta à adesão dos Estados mencionados no parágrafo 1 do artigo
XVII.
2. A adesão será efetuada pelo depósito de um instrumento de adesão junto ao Secretário-Geral da
Organização das Nações Unidas.
Artigo XIX
1. Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia imediato à data do depósito junto ao Secretário-
Geral da Organização das Nações Unidas do vigésimo sétimo instrumento de ratificação ou adesão.
2. Para cada Estado que ratificar a presente Convenção ou a ela aderir após o depósito do vigésimo
sétimo instrumento de ratificação ou adesão, esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia após
a data do depósito, por esses Estados, dos seus instrumentos de ratificação ou adesão.
Artigo XX
1. O Secretário-Geral das Nações Unidas receberá e comunicará a todos os Estados que forem ou
vierem a tornar-se Partes na presente Convenção o texto das reservas feitas pelos Estados no
momento da ratificação ou da adesão. O Estado que levantar objeções a essas reservas deverá
notificar o Secretário-Geral, no prazo de noventa dias contados da data da referida comunicação, que
não as aceita.
2. Não será permitida uma reserva incompatível com o objetivo e propósito da presente Convenção,
nem uma reserva que impeça o funcionamento de qualquer dos órgãos criados por essa Convenção.
Entende-se que uma reserva será considerada incompatível ou impeditiva se pelo menos dois terços
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dos Estados Partes nesta Convenção levantarem objeções a ela.
3. As reservas poderão ser retiradas a qualquer momento através de notificação endereçada ao
Secretário-Geral. Tal notificação passará a ter efeito na data do seu recebimento.
Artigo XXI
Os Estados Partes poderão denunciar a presente Convenção mediante notificação dirigida ao
Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas. A denúncia surtirá efeitos um ano após a data
do recebimento da notificação pelo Secretário-Geral.
Artigo XXII
Quaisquer controvérsias entre dois ou mais Estados Partes relativas à interpretação ou aplicação da
presente Convenção, que não forem resolvidas por negociações ou pelos processos expressamente
previstos nesta Convenção, serão submetidas, a pedido de qualquer das Partes na controvérsia, à
decisão da Corte Internacional de Justiça, salvo se os litigantes acordarem noutro modo de solução.
Artigo XXIII
1. Os Estados Partes poderão formular a qualquer momento um pedido de revisão da presente
Convenção mediante notificação escrita dirigida ao Secretário-Geral da Organização das Nações
Unidas.
2. Nessa hipótese, a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas decidirá acerca das
medidas a serem tomadas sobre tal pedido.
Artigo XXIV
O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas comunicará a todos os Estados mencionados
no parágrafo 1 do artigo XVII da presente Convenção:
a) as assinaturas da presente Convenção e dos instrumentos de ratificação e de adesão depositados,
nos termos dos artigos XVII e XVIII;
b) a data da entrada em vigor da presente Convenção, nos termos do artigo XIX;
c) as comunicações e declarações recebidas, nos termos dos artigos XIV, XX e XXIII;
d) as denúncias notificadas, nos termos do artigo XXI.
Artigo XXV
1. Esta Convenção, cujos textos em chinês, espanhol, francês, inglês e russo são igualmente
autênticos, será depositada nos arquivos da Organização das Nações Unidas.
2. O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas enviará cópias autenticadas da presente
Convenção aos Estados pertencentes a qualquer das categorias mencionadas no parágrafo 1 do artigo
XVII desta Convenção
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DECRETO Nº 65.810, DE 8 DE DEZEMBRO DE 1969.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA,
HAVENDO o Congresso Nacional aprovado pelo Decreto Legislativo nº 23, de 21 de junho
de 1967, a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de
Discriminação Racial, que foi aberta à assinatura em Nova York e assinada pelo Brasil a 7
de março de 1966;
E HAVENDO sido depositado o Instrumento brasileiro de Ratificação, junto ao Secretário-
Geral das Nações Unidas, a 27 de março de 1968;
E TENDO a referida Convenção entrado em vigor, de conformidade com o disposto em
seu artigo 19, parágrafo 1º, a 4 de janeiro de 1969;
DECRETA que a mesma, apensa por cópia ao presente Decreto, seja executada e
cumprida tão inteiramente como ela nele contém.
Brasília, 8 de dezembro de 1969; 148º da Independência e 81º da República.
EMÍLIO G. MÉDICI
Mário Gibson Barbosa
Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as
Formas de Discriminação Racial
Os Estados Partes na presente Convenção, considerando que a Carta das Nações Unidas fundamentase
em princípios de dignidade e igualdade inerentes a todos os seres humanos, e que todos os
Estados-Membros comprometeram-se a agir, separada ou conjuntamente, para alcançar um dos
propósitos das Nações Unidas, que é o de promover e encorajar o respeito universal e efetivo pelos
direitos humanos e liberdades fundamentais para todos, sem discriminação de raça, sexo, idioma ou
religião;
Considerando que a Declaração Universal dos Direitos Humanos proclama que todos os homens
nascem livres e iguais em dignidade e direitos e que cada indivíduo pode valer-se de todos os
direitos nela estabelecidos, sem distinção de qualquer espécie, principalmente de raça, cor ou origem
Promulga a Convenção Internacional sobre a
Eliminação de todas as Formas de
Discriminação Racial.
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nacional;
Considerando que todos os homens são iguais perante a lei e têm direito a igual proteção contra
qualquer discriminação e contra todo incitamento à discriminação;
Considerando que as Nações Unidas condenaram o colonialismo e todas as práticas de segregação e
discrimação que o acompanham, em qualquer forma e onde quer que existam, e que a Declaração
sobre a Outorga de Independência aos Países e Povos Coloniais, de 14 de dezembro de 1960
(Resolução 1.514 {XV} da Assembléia Geral), afirmou e proclamou solenemente a necessidade de
colocar-lhes fim, de forma rápida e incondicional; considerando que a Declaração das Nações
Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 20 de novembro de
1963 (Resolução 1.904 {XVIII} da Assembléia Geral), afirma solenemente a necessidade de se
eliminar rapidamente todas as formas e todas as manifestações de discriminação racial através do
mundo e de assegurar a compreensão e o respeito à dignidade da pessoa humana;
Convencidos de que todas as doutrinas de superioridade fundamentadas em diferenças raciais são
cientificamente falsas, moralmente condenáveis, socialmente injustas e perigosas, e que não existe
justificativa, onde quer que seja, para a discriminação racial, nem na teoria e tampouco na prática;
Reafirmando que a discriminação entre os seres humanos por motivos de raça, cor ou origem étnica
é um obstáculo às relações amigáveis e pacíficas entre as nações e é capaz de perturbar a paz e a
segurança entre os povos, bem como a coexistência harmoniosa de pessoas dentro de um mesmo
Estado;
Convencidos de que a existência de barreiras raciais é incompatível com os ideais de qualquer
sociedade humana;
Alarmados por manifestações de discriminação racial ainda existentes em algumas áreas do mundo e
com políticas governamentais baseadas em superioridade ou ódio racial, tais como as políticas de
apartheid, segregação ou separação;
Resolvidos a adotar todas as medidas necessárias para eliminar rapidamente todas as formas e todas
as manifestações de discriminação racial, e a prevenir e combater as doutrinas e práticas racistas com
o objetivo de favorecer o bom entendimento entre as raças e conceber uma comunidade internacional
livre de todas as formas de segregação e discriminação racial;
Tendo em conta a Convenção sobre Discriminação no Emprego e Ocupação, adotada pela
Organização Internacional do Trabalho em 1958, e a Convenção pela Luta Contra a Discriminação
no Ensino, adotada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em
1960;
Desejando efetivar os princípios estabelecidos na Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação
de Todas as Formas de Discriminação Racial e assegurar o mais rapidamente possível a adoção de
medidas práticas para esse fim,
Acordam no seguinte:
PARTE I
Artigo I
1. Na presente Convenção, a expressão "discriminação racial" significa qualquer distinção, exclusão,
restrição ou preferência fundadas na raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha
por fim ou efeito anular ou comprometer o reconhecimento, o gozo ou o exercício, em igualdade de
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condições, dos direitos humanos e das liberdades fundamentais nos domínios político, econômico,
social, cultural ou em qualquer outro domínio da vida pública.
2. Esta Convenção não se aplicará às distinções, exclusões, restrições ou preferências estabelecidas
por um Estado Parte entre cidadãos e não-cidadãos seus.
3. Nenhuma disposição da presente Convenção poderá ser interpretada como atentando, sob qualquer
forma, contra as disposições legais dos Estados Partes relativas a nacionalidade, cidadania e
naturalização, desde que essas disposições não sejam discriminatórias contra qualquer nacionalidade
em particular. 4. Medidas especiais tomadas com o objetivo precípuo de assegurar, de forma
conveniente, o progresso de certos grupos sociais ou étnicos ou de indivíduos que necessitem de
proteção para poderem gozar e exercitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais em
igualdade de condições, não serão consideradas medidas de discriminação racial, desde que não
conduzam à manutenção de direitos separados para diferentes grupos raciais e não prossigam após
terem sido atingidos os seus objetivos.
Artigo II
1. Os Estados Partes condenam a discriminação racial e comprometem-se a adotar, por todos os
meios apropriados e sem demora, uma política de eliminação de todas as formas de discriminação
racial, e de promoção da harmonia entre todas as raças, e, para este fim:
a) Os Estados Partes comprometem-se a não apoiar qualquer ato ou prática de discriminação racial
contra pessoas, grupos de pessoas ou instituições, e a proceder de modo que todas as autoridades e
instituições públicas, nacionais e locais se conformem com esta obrigação;
b) Os Estados Partes comprometem-se a não incitar, defender ou apoiar a discriminação racial
praticada por qualquer pessoa ou organização;
c) Os Estados Partes devem tomar medidas eficazes a fim de rever as políticas governamentais
nacionais e locais e para modificar, revogar ou anular as leis e qualquer disposição regulamentar que
tenha como efeito criar a discriminação racial ou perpetuá-la onde já existir;
d) Os Estados Partes devem, por todos os meios apropriados - inclusive, se as circunstâncias o
exigirem, com medidas legislativas -, proibir a discriminação racial praticada por quaisquer pessoas,
grupos ou organizações, pondo-lhe um fim;
e) Os Estados Partes comprometem-se a favorecer, quando for conveniente, as organizações e
movimentos multirraciais, e outros meios próprios, visando suprimir as barreiras entre as raças e a
desencorajar o que tende a reforçar a divisão racial.
2. Os Estados Partes adotarão, se as circunstâncias assim o exigirem, nos campos social, econômico,
cultural e outros, medidas especiais e concretas para assegurar adequadamente o desenvolvimento ou
a proteção de certos grupos raciais ou de indivíduos pertencentes a esses grupos com o propósito de
garantir-lhes, em igualdade de condições, o pleno exercício dos direitos humanos e das liberdades
fundamentais. Essas medidas não poderão, em hipótese alguma, ter o escopo de conservar direitos
desiguais ou diferenciados para os diversos grupos raciais depois de alcançados os objetivos
perseguidos.
Artigo III
Os Estados Partes condenam especialmente a segregação racial e o apartheid e comprometem-se a
prevenir, proibir e eliminar nos territórios sob sua jurisdição todas as práticas dessa natureza.
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Artigo IV
Os Estados Partes condenam toda propaganda e todas as organizações que se inspiram em idéias ou
teorias cujo fundamento seja a superioridade de uma raça ou de um grupo de pessoas de uma certa
cor ou de uma certa origem étnica, ou que pretendam justificar ou encorajar qualquer forma de ódio
e de discriminação raciais, comprometendo-se a adotar imediatamente medidas positivas destinadas
a eliminar qualquer incitação a tal discriminação e, para esse fim, tendo em vista os princípios
formulados na Declaração Universal dos Direitos Humanos e os direitos expressamente enunciados
no artigo V da presente Convenção, comprometem-se, nomeadamente:
a) a declarar como delitos puníveis por lei qualquer difusão de idéias que estejam fundamentadas na
superioridade ou ódio raciais, quaisquer incitamentos à discriminação racial, bem como atos de
violência ou provocação destes atos, dirigidos contra qualquer raça ou grupo de pessoas de outra cor
ou de outra origem étnica, como também a assistência prestada a atividades racistas, incluindo seu
financiamento;
b) a declarar ilegais e a proibir as organizações, assim como as atividades de propaganda organizada
e qualquer outro tipo de atividade de propaganda, que incitem à discriminação racial e que a
encorajem, e a declarar delito punível por lei a participação nessas organizações ou nessas
atividades;
c) a não permitir que as autoridades públicas nem as instituições públicas, nacionais ou locais,
incitem à discriminação racial ou a encorajem.
Artigo V
De acordo com as obrigações fundamentais enunciadas no artigo 2 desta Convenção, os Estados
Partes comprometem-se a proibir e a eliminar a discriminação racial sob todas as suas formas e a
garantir o direito de cada um à igualdade perante a lei, sem distinção de raça, de cor ou de origem
nacional ou étnica, nomeadamente no gozo dos seguintes direitos:
a) direito de recorrer a um tribunal ou a qualquer outro órgão de administração da justiça;
b) direito à segurança da pessoa e à proteção do Estado contra violência ou lesão corporal cometida
por funcionários do Governo ou por qualquer pessoa, grupo ou instituição;
c) direitos políticos, especialmente o de participar de eleições - votando e sendo votado - através de
sufrágio universal e igual, direito de tomar parte no governo assim como na direção dos assuntos
públicos em todos os escalões, e direito de ter acesso em igualdade de condições às funções públicas;
d) outros direitos civis, nomeadamente:
(i) direito de circular livremente e de escolher sua residência no interior de um Estado;
(ii) direito de deixar qualquer país, inclusive o seu, e de regressar ao mesmo;
(iii) direito a uma nacionalidade;
(iv) direito ao casamento e à escolha do cônjuge;
(v) direito de qualquer pessoa, tanto individualmente como em associação com outras, à propriedade;
(vi) direito de herdar;
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(vii) direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião;
(viii) direito à liberdade de opinião e de expressão;
(ix) direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas;
e) direitos econômicos, sociais e culturais, nomeadamente:
(i) direitos ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho,
à proteção contra o desemprego, a um salário igual para um trabalho igual, a uma remuneração
eqüitativa e satisfatória;
(ii) direito de fundar sindicatos e de filiar-se a eles;
(iii) direito à habitação;
(iv) direito à saúde, a cuidados médicos, à previdência social e aos serviços sociais;
(v) direito à educação e à formação profissional;(vi) direito a igual participação nas atividades
culturais;
f) direito de acesso a todos os lugares e serviços destinados ao uso público, tais como meios de
transporte, hotéis, restaurantes, cafés, espetáculos e parques.
Artigo VI
Os Estados Partes assegurarão às pessoas que estiverem sob sua jurisdição proteção e recursos
eficazes perante os tribunais nacionais e outros órgãos do Estado competentes, contra todos os atos
de discriminação racial que, contrariando a presente Convenção, violem os seus direitos individuais
e as suas liberdades fundamentais, assim como o direito de pedir a esses tribunais satisfação ou
reparação, justa e adequada, por qualquer prejuízo de que tenham sido vítimas em virtude de tal
discriminação.
Artigo VII
Os Estados Partes comprometem-se a tomar medidas imediatas e eficazes, sobretudo no campo do
ensino, educação, cultura e informação, para lutar contra preconceitos que conduzam à
discriminação racial e para favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre nações e grupos
raciais e étnicos, bem como para promover os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas, da
Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação
de Todas as Formas de Discriminação Racial e da presente Convenção.
PARTE II
Artigo VIII
1. Será constituído um Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial (doravante denominado
"o Comitê") composto por 18 peritos reconhecidos pela sua imparcialidade e alta estatura moral, que
serão eleitos pelos Estados Partes dentre seus nacionais e exercerão suas funções a título individual,
levando-se em conta uma repartição geográfica eqüitativa e a representação das distintas formas de
civilização, assim como dos principais sistemas jurídicos.
2. Os membros do Comitê serão eleitos, em escrutínio secreto, de uma lista de candidatos designados
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pelos Estados Partes. Cada Estado Parte poderá designar um candidato escolhido dentre seus
nacionais.
3. A primeira eleição será realizada seis meses após a data da entrada em vigor da presente
Convenção. O Secretário-Geral das Nações Unidas enviará uma carta aos Estados Partes, com uma
antecedência de no mínimo três meses antes da data de cada eleição, convidando-os a apresentarem
seus candidatos no prazo de dois meses. O Secretário-Geral preparará uma lista, em ordem
alfabética, de todos os candidatos assim nomeados, indicando os Estados Partes que os nomearam, e
a comunicará aos Estados Partes.
4. Os membros do Comitê serão eleitos durante uma reunião dos Estados Partes convocada pelo
Secretário-Geral na sede das Nações Unidas. Nessa reunião, em que o quorum será alcançado com
dois terços dos Estados Partes, serão eleitos membros do Comitê os candidatos que obtiverem o
maior número de votos e a maioria absoluta dos votos dos representantes dos Estados Partes
presentes e votantes.
5. a) Os membros do Comitê serão eleitos por quatro anos. Todavia, o mandato de nove dos
membros eleitos na primeira eleição expirará ao fim de dois anos; imediatamente após a primeira
eleição, o Presidente do Comitê sorteará os nomes desses nove membros.
b) Para preencher as vagas fortuitas, o Estado Parte cujo perito deixou de exercer suas funções de
membro do Comitê nomeará outro perito dentre seus nacionais, sob reserva da aprovação do Comitê.
6. Os Estados Partes suportarão as despesas dos membros do Comitê durante o período em que os
mesmos exercerem suas funções.
Artigo IX
1. Os Estados Partes comprometem-se a apresentar ao Secretário-Geral, para ser examinado pelo
Comitê, um relatório sobre as medidas de caráter legislativo, judiciário, administrativo ou outras que
tomarem para tornarem efetivas as disposições da presente Convenção:
a) no prazo de um ano, a contar da entrada em vigor da Convenção para cada Estado em questão; e
b) a partir de então, a cada dois anos e sempre que o Comitê o solicitar.
O Comitê poderá solicitar informações complementares aos Estados Partes.
2. O Comitê submeterá todos os anos à Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, por
intermédio do Secretário-Geral, um relatório sobre suas atividades e poderá fazer sugestões e
recomendações de ordem geral baseadas no exame dos relatórios e das informações recebidas dos
Estados Partes. Levará ao conhecimento da Assembléia Geral essas sugestões e recomendações de
ordem geral, juntamente com as observações dos Estados Partes, caso existirem.
Artigo X
1. O Comitê adotará seu regulamento interno.
2. O Comitê elegerá sua mesa diretora por um período de dois anos.
3. O Secretário-Geral das Organização das Nações Unidas fornecerá os serviços de secretaria ao
Comitê.
4. O Comitê reunir-se-á normalmente na sede da Organização das Nações Unidas.
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Artigo XI
1. Se um Estado Parte entender que outro Estado igualmente Parte não aplica as disposições da
presente Convenção, poderá chamar a atenção do Comitê para essa questão. O Comitê transmitirá,
então, a comunicação recebida ao Estado Parte interessado. Em um prazo de três meses, o Estado
destinatário submeterá ao Comitê suas explicações ou declarações por escrito, com o propósito de
esclarecer a questão, indicando, se for o caso, as medidas corretivas que adotou.
2. Se, no prazo de seis meses a partir da data do recebimento da comunicação original pelo Estado
destinatário, a questão não estiver resolvida a contento dos dois Estados, por meio de negociações
bilaterais ou por qualquer outro processo que estiver ao seu dispor, ambos os Estados terão o direito
de submetê-la novamente ao Comitê, endereçando uma notificação ao Comitê e ao outro Estado
interessado.
3. O Comitê só poderá tomar conhecimento de uma questão que lhe seja submetida, nos termos do
parágrafo 2 do presente artigo, depois de haver constatado que todos os recursos internos disponíveis
foram utilizados ou esgotados, de conformidade com os princípios de direito internacional
geralmente reconhecidos. Esta regra não se aplicará se os procedimentos de recurso excederem
prazos razoáveis.
4. Em todas as questões que lhe forem submetidas, o Comitê poderá solicitar aos Estados Partes
presentes que lhe forneçam quaisquer informações complementares pertinentes.
5. Quando o Comitê examinar uma questão, em aplicação deste artigo, os Estados Partes
interessados terão o direito de designar um representante que participará, sem direito a voto, dos
trabalhos do Comitê durante todos os debates.
Artigo XII
1. a) Depois que o Comitê tiver obtido e examinado as informações que julgar necessárias, o
presidente nomeará uma Comissão de Conciliação ad hoc (doravante denominada apenas "a
Comissão"), composta por cinco pessoas, que poderão ser ou não membros do Comitê. Os seus
membros serão nomeados com o consentimento pleno e unânime das partes na envolvidas na
discussão e a Comissão porá seus bons ofícios à disposição dos Estados interessados, a fim de chegar
a uma solução amigável da questão, baseada no respeito à presente Convenção.
b) Se os Estados Partes na controvérsia não chegarem a um entendimento em relação a toda ou parte
da composição da Comissão em um prazo de três meses, os membros da Comissão que não tiverem
o assentimento dos Estados Partes na controvérsia serão eleitos por escrutínio secreto dentre os
próprios membros do Comitê, por maioria de dois terços.
2. Os membros da Comissão exercerão funções a título individual. Não deverão ser nacionais de um
dos Estados Partes envolvidos na discussão nem de um Estado que não seja parte na presente
Convenção.
3. A Comissão elegerá seu presidente e adotará seu regulamento interno.
4. A Comissão reunir-se-á normalmente na sede da Organização das Nações Unidas ou em qualquer
outro lugar apropriado que venha a ser determinado pela Comissão.
5. A secretaria prevista no parágrafo 3 do artigo X da presente Convenção também prestará seus
serviços à Comissão, sempre que uma controvérsia entre os Estados Partes provocar a constituição
da Comissão.
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6. As despesas dos membros da Comissão serão divididas igualmente entre os Estados Partes
envolvidos na controvérsia, baseadas em um cálculo estimativo feito pelo Secretário-Geral da
Organização das Nações Unidas.
7. O Secretário-Geral estará habilitado a reembolsar, caso seja necessário, as despesas dos membros
da Comissão antes que os Estados Parte envolvidos na controvérsia tenham efetuado o pagamento,
consoante o previsto no parágrafo 6 do presente artigo.
8. As informações obtidas e examinadas pelo Comitê serão postas à disposição da Comissão, e a
Comissão poderá solicitar aos Estados interessados que lhe forneçam quaisquer informações
complementares pertinentes.
Artigo XIII
1. Após haver estudado a questão sob todos os seus aspectos, a Comissão preparará e submeterá ao
presidente do Comitê um relatório com as suas conclusões sobre todas as questões de fato relativas
ao litígio entre as partes e com as recomendações que julgar oportunas, objetivando alcançar uma
solução amistosa para a polêmica.
2. O presidente do Comitê transmitirá o relatório da Comissão aos Estados Partes envolvidos na
discussão. Esses Estados comunicarão ao presidente do Comitê, no prazo de três meses, se aceitam
ou não as recomendações contidas no relatório da Comissão.
3. Expirado o prazo previsto no parágrafo 2 do presente artigo, o presidente do Comitê comunicará o
relatório da Comissão e as declarações dos Estados Partes interessados aos outros Estados Partes
nesta Convenção.
Artigo XIV
1. Os Estados Partes poderão declarar, a qualquer momento, que reconhecem a competência do
Comitê para receber e examinar comunicações procedentes de indivíduos ou grupos de indivíduos
sob sua jurisdição que se considerem vítimas de uma violação cometida por um Estado Parte de
qualquer um dos direitos enunciados na presente Convenção. O Comitê não receberá nenhuma
comunicação relativa a um Estado Parte que não houver feito essa declaração.
2. Os Estados Partes que fizerem a declaração prevista no parágrafo 1 do presente artigo poderão
criar ou designar um órgão, no quadro de sua ordem jurídica nacional, que terá competência para
receber e examinar as petições de pessoas ou grupos de pessoas sob sua jurisdição que alegarem ser
vítimas de violação de qualquer um dos direitos enunciados na presente Convenção e que esgotaram
os outros recursos locais disponíveis.
3. As declarações feitas nos termos do parágrafo 1 do presente artigo e os nomes dos órgãos criados
ou designados pelo Estado Parte interessado, segundo o parágrafo 2 do presente artigo, serão
depositados pelo Estado Parte interessado junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas, que enviará
cópias aos outros Estados Partes. Uma declaração poderá ser retirada a qualquer momento através de
notificação endereçada ao Secretário-Geral, mas tal retirada não prejudicará as comunicações que já
tenham sido estudadas pelo Comitê.
4. O órgão criado ou designado nos termos do parágrafo 2 do presente artigo deverá possuir um
registro das petições, e todos os anos cópias autenticadas do registro serão entregues ao Secretário-
Geral das Nações Unidas, pelas vias apropriadas, ficando entendido que o conteúdo dessas cópias
não será divulgado ao público.
5. Em não obtendo reparação satisfatória do órgão criado ou designado nos termos do parágrafo 2 do
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presente artigo, o peticionário terá o direito de dirigir uma comunicação ao Comitê dentro do prazo
de seis meses.
6. a) O Comitê levará as comunicações que lhe tenham sido endereçadas, confidencialmente, ao
conhecimento do Estado Parte que supostamente violou qualquer das disposições desta Convenção;
todavia, a identidade da pessoa ou dos grupos de pessoas interessadas não poderá ser revelada sem o
consentimento expresso dessa pessoa ou grupos de pessoas. O Comitê não receberá comunicações
anônimas.
b) Nos três meses seguintes, o referido Estado submeterá, por escrito, ao Comitê, as explicações ou
declarações que esclareçam a questão e indicará, quando for o caso, as medidas corretivas que
houver adotado.
7. a) O Comitê examinará as comunicações, à luz de todas as informações que lhe forem submetidas
pelo Estado Parte interessado e pelo peticionário. O Comitê não examinará nenhuma comunicação
de um peticionário sem ter-se assegurado de que o mesmo esgotou todos os recursos internos
disponíveis. Entretanto, esta regra não se aplicará se tais recurso excederem prazos razoáveis.
b) O Comitê remeterá suas sugestões e recomendações ao Estado Parte interessado e ao peticionário.
8. O Comitê incluirá em seu relatório anual um resumo destas comunicações e, quando houver,
também um resumo das explicações e declarações dos Estados Partes interessados, assim como das
suas próprias sugestões e recomendações.
9. O Comitê somente terá competência para desempenhar as funções previstas neste artigo se pelo
menos dez Estados Partes nesta Convenção estiverem obrigados por declarações feitas nos termos do
parágrafo 1 deste artigo.
Artigo XV
1. Esperando a realização dos objetivos da Declaração sobre a Concessão de Independência aos
Países e aos Povos Coloniais, contida na Resolução 1.514 (XV) da Assembléia Geral da ONU, de 14
de dezembro de 1960, as disposições da presente Convenção em nada restringem o direito de petição
concedido a esses povos por outros instrumentos internacionais ou pela Organização das Nações
Unidas ou suas agências especializadas.
2. a) O Comitê, constituído nos termos do artigo VIII desta Convenção, receberá cópia das petições
provenientes dos órgãos das Nações Unidas que se ocuparem de questões diretamente relacionadas
com os princípios e objetivos da presente Convenção e expressará sua opinião e apresentará
recomendações sobre essas petições, quando examinar as petições dos habitantes dos territórios sob
tutela ou sem governo próprio ou de qualquer outro território a que se aplicar a Resolução 1.514
(XV) da Assembléia Geral, relacionadas com questões incluidas na presente Convenção e que sejam
recebidas por esses órgãos.
b) O Comitê receberá dos órgãos competentes da Organização das Nações Unidas cópia dos
relatórios referentes às medidas de ordem legislativa, judiciária, administrativa ou outras que digam
respeito diretamente aos princípios e objetivos da presente Convenção, que as potências
administradoras tiverem aplicado nos territórios mencionados na alínea a). do presente parágrafo, e
expressará opiniões e fará recomendações a esses órgãos.
3. O Comitê incluirá em seus relatórios à Assembléia Geral um resumo das petições e dos relatórios
que houver recebido de órgãos da Organização das Nações Unidas, assim como as opiniões e
recomendações que tais petições e relatórios houverem merecido de sua parte.
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4. O Comitê solicitará ao Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas o fornecimento de
qualquer informação relacionada com os objetivos da presente Convenção de que ele dispuser sobre
os territórios mencionados na alínea a) no parágrafo 2 do presente artigo.
Artigo XVI
As disposições desta Convenção relativas às medidas a serem adotadas para a solução de uma
controvérsia ou queixa serão aplicadas sem prejuízo de outros processos para solução de
controvérsias ou queixas no campo da discriminação previstos nos instrumentos constitutivos das
Nações Unidas e suas agências especializada, ou em convenções adotadas por essas organizações, e
não impedirão os Estados Partes de recorrerem a outros procedimentos visando solucionar uma
controvérsia de conformidade com os acordos internacionais gerais ou especiais pelos quais estejam
ligados.
PARTE III
Artigo XVII
1. A presente Convenção ficará aberta à assinatura de todos os Estados membros da Organização das
Nações Unidas ou membros de uma de suas agências especializadas, dos Estados Partes no Estatuto
da Corte Internacional de Justiça, bem como dos Estados convidados pela Assembléia Geral da
Organização das Nações Unidas a serem partes na presente Convenção.
2. A presente Convenção estará sujeita a ratificação e os instrumentos de ratificação serão
depositados junto ao Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas.
Artigo XVIII
1. A presente Convenção estará aberta à adesão dos Estados mencionados no parágrafo 1 do artigo
XVII.
2. A adesão será efetuada pelo depósito de um instrumento de adesão junto ao Secretário-Geral da
Organização das Nações Unidas.
Artigo XIX
1. Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia imediato à data do depósito junto ao Secretário-
Geral da Organização das Nações Unidas do vigésimo sétimo instrumento de ratificação ou adesão.
2. Para cada Estado que ratificar a presente Convenção ou a ela aderir após o depósito do vigésimo
sétimo instrumento de ratificação ou adesão, esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia após
a data do depósito, por esses Estados, dos seus instrumentos de ratificação ou adesão.
Artigo XX
1. O Secretário-Geral das Nações Unidas receberá e comunicará a todos os Estados que forem ou
vierem a tornar-se Partes na presente Convenção o texto das reservas feitas pelos Estados no
momento da ratificação ou da adesão. O Estado que levantar objeções a essas reservas deverá
notificar o Secretário-Geral, no prazo de noventa dias contados da data da referida comunicação, que
não as aceita.
2. Não será permitida uma reserva incompatível com o objetivo e propósito da presente Convenção,
nem uma reserva que impeça o funcionamento de qualquer dos órgãos criados por essa Convenção.
Entende-se que uma reserva será considerada incompatível ou impeditiva se pelo menos dois terços
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dos Estados Partes nesta Convenção levantarem objeções a ela.
3. As reservas poderão ser retiradas a qualquer momento através de notificação endereçada ao
Secretário-Geral. Tal notificação passará a ter efeito na data do seu recebimento.
Artigo XXI
Os Estados Partes poderão denunciar a presente Convenção mediante notificação dirigida ao
Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas. A denúncia surtirá efeitos um ano após a data
do recebimento da notificação pelo Secretário-Geral.
Artigo XXII
Quaisquer controvérsias entre dois ou mais Estados Partes relativas à interpretação ou aplicação da
presente Convenção, que não forem resolvidas por negociações ou pelos processos expressamente
previstos nesta Convenção, serão submetidas, a pedido de qualquer das Partes na controvérsia, à
decisão da Corte Internacional de Justiça, salvo se os litigantes acordarem noutro modo de solução.
Artigo XXIII
1. Os Estados Partes poderão formular a qualquer momento um pedido de revisão da presente
Convenção mediante notificação escrita dirigida ao Secretário-Geral da Organização das Nações
Unidas.
2. Nessa hipótese, a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas decidirá acerca das
medidas a serem tomadas sobre tal pedido.
Artigo XXIV
O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas comunicará a todos os Estados mencionados
no parágrafo 1 do artigo XVII da presente Convenção:
a) as assinaturas da presente Convenção e dos instrumentos de ratificação e de adesão depositados,
nos termos dos artigos XVII e XVIII;
b) a data da entrada em vigor da presente Convenção, nos termos do artigo XIX;
c) as comunicações e declarações recebidas, nos termos dos artigos XIV, XX e XXIII;
d) as denúncias notificadas, nos termos do artigo XXI.
Artigo XXV
1. Esta Convenção, cujos textos em chinês, espanhol, francês, inglês e russo são igualmente
autênticos, será depositada nos arquivos da Organização das Nações Unidas.
2. O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas enviará cópias autenticadas da presente
Convenção aos Estados pertencentes a qualquer das categorias mencionadas no parágrafo 1 do artigo
XVII desta Convenção
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